"Design gráfico é uma actividade técnica e criativa relacionada não apenas com o produto de imagens, mas com a análise, organização e métodos de apresentação de soluções visuais para problemas de comunicação."

Icograda-International Council of Societies of Graphic Design



sábado, 19 de junho de 2010

Terceira proposta

Imagens originais:





Imagens modificadas:



A Cor

O que é a cor?

Para entender as cores, é preciso antes falar de luz.
A luz branca (praticamente a totalidade da luz proveniente do Sol) é composta de radiações de diversos comprimentos de onda. Cada comprimento de onda corresponde a uma cor – ou seja, ao ser captado individualmente por nossos olhos, ele é convertido em impulsos elétricos que fazem o cérebro perceber aquela cor. O vermelho, por exemplo, tem comprimento de onda de 0,7 mícron (0,7 milésimo de 1 milímetro) e o amarelo, de 0,6 mícron. No século 17, o físico inglês Isaac Newton deixou isso claro em um experimento usando um prisma: quando a luz solar atravessava o vidro, cada cor seguia uma direção diferente, pois cada uma delas tem comprimento de onda e velocidade diferentes.

Assim, se usarmos um prisma para decompor a luz solar e colocar o olho “na direção” de onde vem o laranja, veremos laranja; se colocarmos os olhos na direção do azul, veremos azul, e assim por diante. Mas esse é só o começo da história. Digamos que você sai à rua com uma camisa amarela. Ao ser iluminada pela luz do Sol, ela tem a propriedade de absorver todas as cores, exceto o amarelo. Portanto, de todas as cores que chegam à camisa, a única que é rejeitada – e que prossegue seu caminho entre a camisa e seu olho – é a cor amarela. Porque é que isso acontece?

“Porque a camisa tem pigmentos. Esses pigmentos não absorvem o amarelo, do mesmo jeito que outros pigmentos rejeitam o vermelho ou o azul”, diz Abá Persiano, professor do Departamento de Física da UFMG. “Por isso, o amarelo proveniente do Sol será rejeitado por sua camisa, que o refletirá em todas as direções, inclusive para os seus olhos – e você verá amarelo.” É como se a fonte do amarelo estivesse na sua camisa, mas na realidade essa fonte está no Sol ou nas lâmpadas que usamos. Se você entrasse em um lugar sem luz alguma, a camisa seria preta.

Do ponto de vista físico, o amarelo existe, sim, pois existe um comprimento de onda (0,6 mícron) que, ao ser capturado por seus olhos, é convertido em impulsos elétricos específicos, que vão ao cérebro e o fazem concluir: “É amarelo”. Mas a camisa amarela, a rigor, não é amarela. Ela tem os chamados pigmentos amarelos, que “não gostam” do amarelo e não o absorvem, refletindoo para os seus olhos.

Da mesma forma que a camisa amarela, um objeto branco iluminado pelo Sol reflete todas as cores. Já um objeto preto, por absorver todas as cores, não reflete nada para os seus olhos – assim como o fundo desta página. O mistério sobre as cores está em descobrir o que levou os seres humanos a desenvolverem células capazes de diferenciar as 3 cores primárias (verde, azul e vermelho, das quais surgem todas as outras cores). Uma das teses dos estudiosos da evolução humana é que esse espectro de cores nasceu por meio de uma mudança de hábitos alimentares da nossa espécie, que, por uma necessidade de ampliar o leque de alimentos, privilegiou a visão em detrimento do olfato.

Por Eduardo Sklarz

Segunda proposta - Memória descritiva

Alberto Caeiro



A composição tipográfica sobre Alberto Caeiro foi conseguida através do programa Adobe FreeHand. Foi nossa intenção explorarmos ao máximo as características aferidas anteriormente na pesquisa que fizemos. Surgiu-nos, assim, a ideia de criarmos algo que se identificasse com o carácter deambulatório de um poeta de pouca instrução, de visões simplistas e básicas da vida.
Desta forma, optámos por utilizar estilos de letra infantis, numa alusão à escrita
primária, muito identificativa da simplicidade e da pouca instrução do poeta, bem como a sua falta de exibição dos seus dotes. Considerámos interessante criar uma imagem de harmonia e do meio da natureza que é o meio sempre referido pelo poeta nas constantes metáforas.
Aliás, a sua poesia é muito baseada nos elementos da natureza e a sua deambulação ocorre ao ar livre. Criámos, assim, um cenário natural, com árvores e erva, as nuvens, o sol, construído com letras.
A linha de texto em tamanho pequeno pretende dar a ideia do vento que sopra levemente pelo ar mas que se faz sentir como algo prazeiroso e agradável. No fundo, o texto em cinza, pretende dar a ideia do guardador de rebanhos, em que os ideais estão sempre presentes em qualquer cenário.

Álvaro de Campos



No que diz respeito ao heterónimo Álvaro de Campos, quisemos tirar partido do carácter de euforia incansável inicial que, mais tarde, dá lugar à melancolia e ao tédio de viver.
Assim, optámos por usar um tipo de letra mais “objectivo”, quase que “grosseiro e bruto” sem serifas, para dar um ar de explosão, de forte impacto.
Sendo que consideramos a grande característica de Álvaro de Campos a sua dupla
personalidade, decidimos usar também uma dupla personalidade na nossa composição.
Em grande plano, de grandes dimensões, está o “EIA”, que traduz o sentimento de euforia. Emoposição, encontra-se a segunda linha de texto: “RRRRRRR ETERNO”, para dar um efeito contrário, de queda, de fraqueza. Isto é transmitido pelo facto de estar ao contrário (oposto), numa contraposição à euforia, é o tédio, a apatia para a vida, sendo de menores dimensões, letras mais finas – maior fragilidade.

Ricardo Reis



As principais ideias que queríamos transmitir com a composição deste poeta são:
leveza, apatia, espontaneidade, fluência e simplicidade. Para tal efeito, criámos linhas de que transmitissem a ideia de rio, de água a fluir, de corrente, de nos “deixarmos levar”.
O passo seguinte foi escolher o tipo de letra. A nossa escolha recaiu em dois tipos de letras diferentes. Primeiro, um tipo de letra primário, parecido com o utilizado em Alberto Caeiro, pela perspectiva simplista, quase infantil de Ricardo Reis. O “medo” em relação à entrega aos sentimentos são concepções algo básicas para um homem adulto. De seguida optámos por um tipo de letra que se associasse à formação clássico-latina de Ricardo Reis, um médico, uma letra de aspecto manual mas com requintes de classe.
A frase “Sofro, Lídia de medo do destino” surge numa alusão à filosofia adaptada à mulher Lídia, recorrente nos poemas de Ricardo Reis. A frase surge em destaque, em duplicado, assumindo um carácter forte e intenso.
Uma das frases está a preto e outra a cinzento. O cinza representa uma “sombra”, o medo que persegue Ricardo Reis quanto às relações e sentimentos, depois concretizado a preto. A cor azul surge em algumas palavras pela inerente relação que o poeta estabelece com o mar, o rio, a corrente que o leva até ao seu fim.
Inserimos ainda as palavras-chave da poesia de Ricardo Reis, salientadas em diferentes tamanhos, cores e tipos de letra ao longo da composição.

Proposta final - Álvaro de Campos

Proposta final - Ricardo Reis

Proposta Final - Alberto Caeiro

Citando...

"O tipógrafo veste a palavra com uma forma visível e a preserva para o futuro." (Emil Ruder)

"A tipografia é o ofício que dá forma visível e durável - e portanto existência independente - à linguagem humana." (Robert Bringhurst)

"O Design Gráfico, mais do que uma profissão, é um modo de vida." (L. Moholy-Nagy)